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Reflexão sobre Humanidade, Psicanálise e Pandemia

Reflexão sobre Humanidade, Psicanálise e Pandemia

Quem somos nós na pandemia? Essa questão que inicia nosso texto é um convite a pensarmos o que somos e o que queremos ser em diferentes momentos da vida.

O questionamento participa de um papel maior, e necessita do seu plano de fundo. Então, o que estamos vivendo? 

A incerteza da pandemia

pandemia fez cair as máscaras e os status. As pessoas vivem em um mundo híbrido, de esperança e medo que os afronta de forma única. Afinal, nunca fomos realmente preparados para viver essa realidade, não fomos ensinados a como nos comportar, a agir e como nos relacionarmos com a vida dessa forma.

O início de tudo isso é incerto ainda, e como alguns podem sofrer tanto enquanto outros realmente não apresentam sintomas físicos. O que nos motiva a continuar existindo e criando novas formas de vida diante de tanto caos? O desejo, principalmente o desejo pela vida.

Qual o papel da psicanálise durante a pandemia?

A terapia, principalmente a psicanálise durante a pandemia, tem papel fundamental como espaço seguro para falarmos abertamente do que sentimos, do medo que sentimos, da ansiedade, da angústia e da vontade de viver tudo antes que seja tarde demais.

A Pandemia é uma realidade, e estamos inseridos nesse mundo complicado, que apresenta mais perguntas do que respostas. Então como a terapia pode me ajudar?

Terapia é acolhimento. É a nossa forma de nos relacionarmos com nós mesmos, e dizermos o que sentimos na pele, e enquanto isso… a vida não para. 

O atropelamento da realidade é cotidiano. O Coronavírus é real, e nós não estamos sós. É possível encontrar segurança, respeito e carinho nesta nova realidade.

Nós podemos ajudar uns aos outros, por isso, a terapia é tão importante, pois nem sempre queremos dizer o que realmente sentimos e pensamos para um amigo ou para um familiar.

Às vezes, queremos não ser julgados, queremos falar o que pensamos, e na hora que pensamos, por isso Psicanálise.

A análise pessoal é uma importante ferramenta para nos conhecermos, entendermos melhor e nos questionarmos melhor. Então, eu te pergunto: quem somos nós na Pandemia do Coronavírus?

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Medo: já parou para pensar sobre esse sentimento?

Medo: já parou para pensar sobre esse sentimento?

Todos os dias parecem ser repetitivos, o noticiário sempre exibe sobre a nova pandemia, e parecemos e nos sentimos cada vez mais cansados, com medo, quase totalmente anestesiados diante de algo tão grande e que está diante de nós. Então, o que fazer?

Essa é uma pergunta com múltiplas respostas, todas direcionando sempre ao que não fazer, que é tentar não se expor ao vírus e ajudar para que outras pessoas não sejam contaminadas.

E o que fazer com o sentimento referente à pandemia? Quando as cidades estão sendo fechadas, o tempo parando e as pessoas desaparecendo. O que fazer, não fazer e o que sentir? Como reagir? São tantas as perguntas, e elas sempre aparecem; uma hora ou outra elas existem.

Então, como me sentir diante de tudo isso que não consigo lidar? Que não aguento mais dialogar? E que busco fugir (sem sucesso)? A pandemia tomou conta de nós, ela deixou de ser algo para se tornar o aquilo, para ser significativo e até invadir nossos mais doces sonhos.

Mas, mesmo assim, existe a saudade do outro tempo, do tempo sem medo e tudo que ele acarreta. Então, de novo, a questão vem e aparenta não ter resposta: Como suportar todo esse sentimento?

Converse com um profissional sobre medo

Você já pensou que é possível compreender a realidade de outra forma que não seja o medo? Como você lidaria com o peso da realidade se tivesse alguém para dialogar com você de forma profissional? Além disso, o medo seria tão devastador?

O que está além de nós? Qual o limite do nosso medo? Até onde podemos nos sentir paralisados e quando vamos compreender a realidade através de uma nova perspectiva ?

Então, mais questões! E onde estão as respostas? Ou vamos para sempre nos questionar? Muitas respostas para a nossa realidade estão na nossa própria compreensão, em enfrentar a nós mesmos diante do espelho, quando falamos e nos escutamos.

A ressignificação vem através da comunicação, e você está conversando consigo ou está deixando para lá? Quanto tempo está dedicando à sua saúde mental?

Se ouvir, se escutar e se compreender, podem parecer sinônimos, mas para cada pessoa, essas palavras soam diferentes e possuem significados diferentes.

Reconstruir seus sentimentos é importante

Contudo, o importante é que através delas podemos chegar a algo comum, que é a reconstrução. Primeiro, a reconstrução interna e estou falando da nossa imagem, dos nossos significados e de nós mesmos, e então um retorno ao outro.

O que formamos em nós reflete sobre o nosso dia a dia, e é muito importante entender e sentir isso. Somos capazes de grandes transformações internas, e com isso alguns elementos do mundo externo a nós também podem mudar, como os nossos relacionamentos, como as nossas ações e as nossas reações.

Repense: o que mudaria em você? E sobre essa mudança, é muito significativo o senso de realidade, e o sentido da nossa mudança. Mudar porque me faz bem ou porque faz bem ao outro?

Esse “outro” é uma pessoa ou pessoas diferentes para cada um de nós, e o papel que ele ou eles representam é muito importante – é significativo.

Por isso, devemos olhar com carinho e com cuidado para o que queremos, quando queremos, por quem queremos e onde queremos. 

Como enfrentar o medo

Através da terapia a comunicação é diferente, pois você vai ter um especialista em saúde mental te auxiliando com sua dúvida, medo e provavelmente trazendo novas questões, que ao seu tempo, poderão ser respondidas.

O trabalho do profissional envolve o estudo, técnica e ciência de forma que exista um fortalecimento da pessoa que busca a terapia. Com isso, ela pode ter consciência sobre a situação e viver com ciência dos seus atos e responsabilidades, assim como os seus limites.

A pandemia está demonstrando e revivendo muitos de nossos medos, alguns tão bem enterrados que até esquecemos deles por anos. E eles podem retornar, contudo, com o apoio correto, o retorno do recalcado não será o fantasma do castelo, mas o processo para a metamorfose em algo construtivo e real.

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Sono: você consegue dormir bem? 

Sono: você consegue dormir bem?

Dormir bem é fundamental, isso todos sabem, mas você tem dormido bem? Quando consegue dormir, você realmente descansa e acorda revigorado ou cansado, com dores de cabeça e nas articulações?

Essa importante fase da vida que repetimos (ou deveríamos repetir) todos os dias diz muito sobre nós. 

Quando dormimos, abrimos a porta do inconsciente e sonhos e fantasias afloram, tudo bem que nem sempre são sonhos, eles também podem ser pesadelos, mas nada como uma boa noite de sono e um sonho doce e agradável.

Os sonhos e a Psicanálise

Você sonha todas as noites? O que você acha que são os sonhos? Para a psicanálise, os sonhos são imagens e elementos do inconsciente que recriam mundos, e quando bem interpretados nos ajudam a nos conhecer melhor, a entender o que realmente desejamos e pensamos sobre as mais diversas situações de vida. 

Claro que os sonhos também são reflexo do que passamos no dia a dia, e chamamos esse momento de vigília, então os sonhos também são partes dos momentos de vigília que estão vivos em nossa mente ou psique.

Os mais diferentes elementos dançam em nossa mente quando o corpo descansa. Mas será que o sonho é somente o que ele parece ser ou possui algum significado oculto? Bem, para saber mais sobre sonhos você pode trazer eles para a sua sessão de terapia online para interpretá-los.

Dormir bem x Insônia

Mas, você realmente dorme bem ou tem insônia? Acorda com a boca pesada, como se estivesse mastigando e apertando os dentes? ou ainda acorda a você ou as outras pessoas com os estalos durante a noite?

Dormir bem, hoje em dia, parece ser um privilégio, mas não deveria ser.

A insônia é um fenômeno muito comum na vida de muita gente. A dificuldade de dormir está ligada a diversos fatores, e um dos mais comuns é a ansiedade

O stress das cobranças do trabalho, da família, dos relacionamentos e das contas é tão pesado que não permite que nossa mente e o nosso corpo descansem como deveriam. 

Então, ficamos acordados por várias noites até que um dia, de tão cansados, acabamos dormindo por horas, mas sem acordar bem. Como se dormir fosse uma obrigação e não um prazer.

O tratamento da insônia pode necessitar de medicamentos, pode necessitar de elementos novos que nos ajudem a dormir, e está tudo bem em procurar um médico, isso é normal. O que não é normal é não dormir bem.

Dormir bem e bruxismo 

Há pessoas que conseguem dormir, mas acordam no meio da noite com dor, cansaço e fadiga na região da boca, e o que seria isso? Como tratar? Muitas pessoas sofrem de bruxismo, isto é, de um apertamento e/ou rangimento dos dentes, que é muito prejudicial ao sono e à saúde da boca. 

O bruxismo pode ser diagnosticado por um bom dentista, que poderá indicar a popular placa de bruxismo ou até mesmo botox na região dos músculos da sua mordida. Então, o bruxismo também tem tratamento.

E o que podemos compreender a fundo desses problemas que podem acontecer com qualquer pessoa? Em primeiro lugar, é compreensível que devemos procurar ajuda de médicos, dentistas e de psicanalistas. Psicanalistas? Sim!

Pois além de tratar o morder, o ranger e a insônia, é importante compreender as causas desse sintoma, que é a dificuldade de dormir.

A investigação da raiz do problema é muito importante para a resolução dos nossos conflitos internos. O psicanalista pode te ajudar com as suas queixas, com a sua mente, e ainda pode te auxiliar na interpretação dos sonhos.

Então, por que não procurar um tratamento completo para a sua saúde? Procure o apoio e ajuda de bons profissionais, e entenda que buscar ajuda para problemas, que podem parecer cotidianos, faz bem.

Boa noite de sono e bons sonhos!

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O acolhimento da família a pessoas LGBT’s

O acolhimento da família a pessoas LGBT’s

A Família, esse poderoso símbolo e núcleo, representa muito mais do que laços sanguíneos e está muito além do amor. A família, em sua natureza viva, pode ser composta por diversas relações conflituosas, difíceis e preocupantes. Afinal, seria muita inocência acreditar que todas as famílias são felizes e perfeitas. Todas elas apresentam problemas, defeitos, distúrbios e histórias.

O que conto é um dos inúmeros exemplos que podemos imaginar conhecer, por isso é tão importante falar sobre: a aceitação de pessoas LGBTQIA+ em casa.

A formação inicial desse núcleo se inicia bem antes da concepção da criança, ela se conforma na formação dos pais e pessoas próximas que compõem o núcleo. Então, há questões sociais, econômicas, culturais e morais envolvidas, e nada do que acontecer é mera questão do acaso, pois o mundo em que somos inseridos, já foi formado antes mesmo do nascimento.

O desejo da família

Quando a criança nasce, há toda uma expectativa, sonhos e desejos dos pais sobre os elas. Existe uma elaboração do que guiará a criança, e existe ainda mais forte uma vontade do filho ou da filha ser uma continuidade, rumo à eternidade, do que os pais são. Em muitos casos, filhos podem representar legados, sejam de características genéticas, culturais, econômicas ou sociais.

Apesar de toda essa elaboração e sonho pela parte dos pais, há sempre a possibilidade da criança, em sua natureza, não corresponder ao desejo do outro. A criança pode ser desde uma completa decepção até um completo sonho para os pais; orbitar entre os completos opostos parece mais plausível e real, afinal somos a composição de elementos, e não algo puro e reluzente.

E o que a criança deseja? Ou só começamos a ter vontade e desejo próprio quando somos adultos? As crianças também têm opiniões, e é importante entender e aceitar isso, o que pode ser muito difícil para algumas pessoas, pois muitas foram ensinadas que as pequenas e os pequenos são apenas seres para serem moldados ao desejo da família.

A sexualidade no seio da família

Se já sabemos que a história começa antes do nascimento e que a criança é um ser humano, assim como seus pais, então onde está o conflito familiar em pessoas diversas em sexualidade e gênero?

A elaboração de perspectivas representa um dos lados da história, e o enfrentamento da não realização dos desejos paternos representa outra. Além disso, como as pessoas LGBTQIA+ podem lidar com todo esse conflito? Como lidar com questões que foram impostas? Ou por natureza as pessoas nascem julgando a diversidade sexual e de gênero como erros irremediáveis?

É doloroso se olhar no espelho e se enxergar um erro, se enxergar como portador de uma maldição ou desastre da natureza. E não somos isso.

Somos seres humanos que possuem sentimentos, sonhos, aspirações e relações de carinho e afeto com muitas pessoas, principalmente, com familiares, por mais que nem sempre eles entendam e, nem sempre, nós entendemos eles.

Então, eu te pergunto: como está o laço familiar? Se sua família lhe pedisse perdão pelos julgamentos, ensinamos e opiniões erradas, você os perdoaria ou ignoraria?

A importância do diálogo na família

Falar sobre a aceitação em casa é falar das dores, das incertezas e das inseguranças que sentimos no passado, no presente e no futuro. A infelicidade de não ser reconhecido como ser humano, de não se sentir amado por quem você é e como você é. Nenhuma palavra em nenhum texto é capaz de descrever o que você sente na pele. E justamente por isso, por ser tão difícil lidar com todas essas questões é que eu lhe convido a pensar profundamente: O que você quer?

Felizmente e infelizmente, não é possível criar uma poção do respeito, do carinho e do amor sem preconceito. É possível compreender as pessoas, buscar espaços seguros, pessoas que são nossos portos seguros, e além de tudo, é possível e muito possível alcançar o amor próprio e reconhecer que existir não é um erro.

É extremamente difícil se olhar no espelho e se entender como humano, enquanto a sociedade nos julga como erro. Por isso, é tão importante estar em contato com pessoas que te apoiam, que tenham bons sentimentos para compartilhar, possam te ajudar de alguma maneira, e daquela maneira que você tanto gosta quando precisa.

Então, se você é LGBTQIA+ e está lendo esse texto, saiba que não está sozinho/sozinha/sozinhe, e seja responsável e consciente sobre o grupo de pessoas em quem confiar. Afinal, pessoas semelhantes não deixam de ser pessoas comuns e normais com elementos positivos e negativos. Seja responsável consigo mesmo.

A mensagem que quero deixar é: procure por um espaço seguro e confortável. Você não está sozinho/sozinha/sozinhe. Há pessoas como você e há pessoas que passam por problemas semelhantes aos seus, por isso não desista jamais.

Obrigado por chegar até aqui. Tenha orgulho de existir.

Eu posso te ajudar

Eu posso te ajudar a entender os seus seus sentimentos e emoções. Você pode conversar comigo sobre sexualidade, relacionamentos com amigos e conflitos familiares.

Vem comigo nessa jornada rumo ao autoconhecimento!

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Em busca do que é ser humano

Em busca do que é ser humano

A (in)finitude da vida.

A vida humana

O ser humano é questionado desde o princípio, é como se existisse uma força na própria vida que nos coloca questões. Todos os dias novas perguntas surgem, e se as anteriores não forem adequadamente respondidas poderá surgir uma poderosa angústia diante do mundo, diante de todos e, principalmente, diante de quem somos.

Compreender as questões impostas por outras pessoas, pela vida e por nós mesmos não é simples, porém é muito importante entendermos como as ler, como as escutar, e então darmos respostas que, provavelmente, mudarão ao longo do tempo.

Logo, nós estamos diante de mais uma realidade. A primeira realidade é que existimos, seja com base no famoso “penso, logo existo”, do filósofo René Descartes, ou no “sou onde não penso, penso onde não sou”, do psicanalista Lacan.

A realidade se impõe, ela vem e molda o mundo ao nosso entorno e nos coloca em posições que nem sempre sabemos o que fazer ou como lidar, até mesmo gerenciar, tantos elementos e tantas forças.

Apesar do pesar, por mais que não pareça, nós temos que tomar decisões, nós temos que fazer escolhas – pois até mesmo decidir não escolher é uma escolha – e tudo que decidirmos primeiramente parte de nós.

A vida humana impõe escolher. Escolhemos consciente ou inconscientemente, seja o prazer da satisfação ou o desprazer que nos satisfaz. Ainda são escolhas.

O narcisismo

Somos realmente capazes de sentir o que está além de nós? Qual o limite da empatia? Qual o limite da simpatia?

Segundo a psicanálise, o ser humano parte de algo muito particular para fazer as suas escolhas, e cada sujeito deseja algo. Cada sujeito é um sujeito desejante.

Mesmo que o desejo do Eu seja desejar satisfazer o desejo do Outro.

Desejar parece ser algo genuinamente humano. E é a partir do Eu, que vive a realidade material e impositiva da vida, assim como as suas fantasias e ilusões, é que entendemos que para mais ou para menos, todos nós somos centrados em nós mesmos, cada sujeito em si. Somos narcisistas.

Ser humano e a Vida

Diante da Natureza da Vida somos obrigados a aceitar, a vida material humana é finita e mortal.

Então, como lidar e deglutir todos os dias que somos mortais ? 

A finitude da vida é imposta, assim como fazer escolhas. Entretanto, ironicamente não podemos escolher sermos imortais – materialmente falando -.

E nisso há algo que é importante pensarmos e refletirmos. A nossa finitude.

Existe uma obra da literatura russa que nos auxilia nessa compreensão, a obra é O Demônio, de Lermontov. E, nesta obra, existe um Demônio, que se angustia como nós, que vive dores como nós e que sente o amor como nós. Mas ele é condenado. Ele é imortal e viu, vê e verá as montanhas virarem areias de estepes. 

A real experiência de vida mortal se depara com a imortalidade de personagens na literatura. Para o Demônio, da obra supracitada, a imortalidade não parece lhe ser um benefício, e ironicamente essa é uma das suas condenações – não viver o fim da própria vida.

E esse é um dos pontos mais interessantes da obra, pois se compararmos o sofrimento do ser imortal com os nossos, que são de diferentes fontes, poderemos entender que as angústias para o ser humano podem ter outros sentidos e resoluções, e que não necessariamente são como os tormentos eternos e devastantes que o Demônio sofreu, sofre e sofrerá.

Conclusão 

O ser humano não necessariamente está fadado a sofrer por ser mortal, e não necessariamente está destinado ao desejo alheio, como é o caso do Demônio. Nós podemos fazer escolhas, e podemos elaborar novas formas e significados perante a vida e perante o seu fim, de forma que o desamparo que a mortalidade pode gerar não seja, obrigatoriamente, o que nos motiva a viver. 

Pois negar o fim da vida não traz uma resolução sobre a mortalidade, e o oposto de viver em prol do fim também não significa que deixamos de ser sujeitos ao desejo dos outros. E, parece que é possível encontrar um terceiro caminho, que tenha mais contato com a realidade material da vida e que não perca o encanto de expectativas – mas sem cairmos em ilusões e grandes frustrações.

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A relação da pornografia com a Psicanálise

A relação da pornografia com a Psicanálise

Falar de pornografia é, ao mesmo tempo que polêmico, importante! Por isso começo este texto com a seguinte frase de Oscar Wild: “Tudo no mundo é sobre sexo, exceto o sexo. Sexo é sobre poder” e completo com as perguntas: por que uma parte tão grande da Internet se destina à pornografia? Por que, desde os primórdios, há representações sobre o sexo? Por fim, como as imagens do sexo nos afetam?

Falar de pornografia é dialogar sobre o que nós, pessoas sinceras, já assistimos diversas vezes e gostamos, até mesmo gozamos. O acesso à pornografia explodiu com a Internet, e há pessoas que chegam a ficar viciadas, até mesmo quem reproduz esse material. 

Em um dos seus textos, Zizek cita “segundo o que Eva Wilseman relata ao jornal The Guardian, em um dos episódios de The Butterfly Effect, “no set de filmagem de um filme pornográfico, um ator perdeu sua ereção no meio de uma cena – para retomá-la, desviou o seu olhar da mulher nua que se encontrava diante dele, pegou seu celular e deu uma busca no site Pornhub, (…)””

No meio de uma cena de sexo o ator precisou de pornografia? O que está existindo entre nós e a pornografia? Que relação é essa em que a imagem do sexo imaginário é tão forte? porque, vamos ser sinceros… o que ocorre no set de filmagem não condiz com a realidade geral do sexo. Por que desejamos tanto esse mundo imaginário e fictício? Como ela, a pornografia, pode domar os nossos desejos?

A sexualidade para a Psicanálise

A sexualidade, segundo Freud, não é algo que se inicia na puberdade, mas bem antes dela, na mais tenra infância, quando estamos iniciando as nossas vidas e o primeiro movimento que aprendemos é o de sucção do leite materno. Portanto, a sexualidade não é somente a relação sexual e o gozo. A sexualidade está na nossa forma de nos relacionarmos com o mundo e com nós mesmos.

O desenvolvimento sexual, para a psicanálise, possui alguns estágios, como a fase oral, anal, fálica, latência e genital. Então, é um conjunto de momentos e experiências do corpo e da mente, que conduzem ao desenvolvimento sexual e contribuem para a compreensão dos desejos, dos fetiches e das intenções sexuais.

A obra de Freud, Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade, foi e é muito importante para o debate sobre o sexo por mais que ela tenha sido lançada há mais de um século e por mais que muito já se tenha compreendido, o que Freud inaugurou quebrou paradigmas, criou novos e nos permitiu nos entendermos sexualmente.

A pornografia e a sexualidade

E onde está a relação entre pornografia e a nossa sexualidade? Ela se inicia no poder das imagens sobre o nosso imaginário. As imagens que assistimos, vemos, desejamos, queremos e não queremos. Todas elas habitam a nossa imaginação e exercem influência sobre nós. Isto ocorre desde a infância, ou você já teve um sonho tão original que não tem relação com nada que viu antes em filmes, livros ou te contaram antes de dormir?

Logo, as imagens exercem poder sobre nós e nos ensinam o que reproduzir no mundo real. E não seria diferente com a nossa sexualidade. A pornografia nos ensina o que é interessante e o que não é interessante, desde os corpos esculturais, até o gozo volumoso, com gemidos além do comum.

A pornografia nos seduz e ilude, ela vai te dizer, enquanto você a assiste e depois, que tal corpo não é qualificado para gozar junto ao seu. Ela engana e diz “goze comigo, afinal, eu sou o momento de sexo perfeito, eu sou a imagem perfeita que habita a sua imaginação.”

Então, perceba que há dois elementos importantes sobre a pornografia, primeiro que geralmente é tabu falar dela abertamente, por mais que quase todos os adultos já tenham assistido ou se deparado com ela. Então, há uma questão social de não debate sobre a pornografia, por mais que ele seja necessário. 

E segundo, o totem em que a pornografia foi erguida, pois ela é o símbolo do encontro da sexualidade, ela é a busca da satisfação, como um local em que as pessoas se destinam para se encontrarem com o prazer sexual.

Refletindo sobre o nosso tema e o seu papel chegamos a elementos que a constroem, e como ela nos influencia. Logo, você consome a pornografia ou é ela quem te consome?